Discurso para os meus queridos formandos de Administração de Empresas da UNIESP - Sorocaba.


Pensei em um discurso de formato prático, que pudesse trazer a todos um pouco daquilo que tenho tentado colocar em prática para viver melhor. Assim, eu trouxe alguns conselhos para todos vocês.

1. Sorria sempre. Um sorriso abre portas, facilita a vida e não custa nada.

2. Trate as pessoas com respeito, não importa a posição social que elas ocupem. Não somos nada diante do universo.

3. Não resolva as coisas de cabeça quente. Conte até 1000 se necessário for, mas não resolva as coisas com a cabeça quente. Isso vale para a vida, para o amor e para o trabalho.

4. Lembre-se: ninguém é obrigado a adivinhar o que você está pensando. Se tem algo a dizer, diga.

5. Trabalhe por dinheiro, mas trabalhe com amor. E se em algum momento você achar que está trabalhando demais, pare e pense: afinal, quem é o meu Deus? O dinheiro?

6. Se você não cuidar de você, ninguém fará isso. Valorize-se e cuide do seu corpo. Você só tem esse para usar até o final da vida.

7. O mundo avança rápido, Bauman fala de uma sociedade líquida em que não dá tempo de se acostumar com uma inovação e já vem outra. A menos que você se atualize, em 5 anos será tão obsoleto quanto um disquete.

8. Cuide de quem você ama. Pessoas não são máquinas. Você evitará muitos problemas se der o devido valor às pessoas ao seu redor.

9. Tenha fé. Nada é tão bom que não possa melhorar e nem tão ruim que não possa piorar. De qualquer forma, o sol sempre nasce todos os dias.

10. Não se contente com migalhas. Quem gosta de migalha é pombo.

11. Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve. Preciso explicar? Determine para onde você quer ir, trace sua meta e vá.

12. Certa vez vi num filme uma máxima inesquecível: viver com medo é viver pela metade. Encare a vida de cabeça erguida.

13. Por fim, seja corajoso. Mesmo que você não seja, finja ser. Ninguém nota a diferença.

Existe um sinal universal na linguagem de sinais. Os três dedinhos simbolizando o I Love You. 

Meus queridos, obrigado pela atenção, gentileza e carinho.

Três dedinhos para vocês.



Sorocaba, 11 de abril de 2012.

 



Escrito por Marco Escobar às 00h58
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 Sobre os últimos acontecimentos em nosso bairro.

 

Triste. A demolição da antiga CEI-01 na Av. Cel. Nogueira Padilha é um espetáculo de decadência. Como morador nativo do bairro, posso afirmar que a Vila Hortência está desfigurada. Nossos ancestrais espanhóis vêm morrendo ano a ano, seus filhos e netos muitas vezes parecem não entender o valor que a terra tem e passam adiante suas raízes em busca de outros bairros para viver. Vendem o chão de seus pais e avós e partem para outras áreas nobres sem olhar para trás.

O resultado é um bairro amorfo, parado no tempo e querendo se modernizar sem saber como. Derrubam árvores antigas como se fossem cartas de um castelo, erguem palacetes de concreto e indiferença, cobrem o solo fértil com cimento e dizem que é para o nosso bem. Serão plantadas milhares de novas árvores para redimir o pecado das derrubadas e acham sinceramente que isso justifica o crime contra o meu passado, contra o passado de meus amigos e familiares. Contra o passado desta cidade que cresce alicerçada na indústria e nos serviços mesmo tendo sido anteriormente uma província de venda de mulas.

Não quero voltar aos tempos das tropas de muares ou coisa que o valha. Estou falando de preservar áreas importantes para contar a história de nosso povo. Não sou historiador. Creio que qualquer pessoa bem alfabetizada compreende a importância de se cuidar do patrimônio cultural do município para que não sejamos dentro de alguns anos uma cidade sem identidade. A Vila Hortência precisa de mais cuidado, de mais atenção, de mais segurança, de mais respeito... mas não sei exatamente da nossa necessidade de um terminal de ônibus, visto que somos vizinhos do Terminal São Paulo.

A cultura de um povo vem se diluindo nas mãos da modernidade. E essa modernidade um dia sofrerá as consequências de sua sede de crescimento. Nossa metrópole vizinha prova que é possível crescer sem destruir a história do povo que ali nasceu, cresceu ou ali viveu. Bexiga e Liberdade não me deixam mentir e são cartões postais de São Paulo. E nós, o que teremos para contar? Nada.

Evidente que a Casa de Espanha vem desenvolvendo importantes trabalhos no resgate da formação essencialmente espanhola do bairro. Mas isso não é suficiente porque os herdeiros da terra creem que esse tempo já era.

O parquinho da Nogueira Padilha é apenas uma válvula para o escape de tantas tristezas que vivemos por aqui. As principais mudanças são imperceptíveis a olhos nus. Elas passam pela perda do respeito pelos ancestrais e pela cultura que moldou nossas personalidades tão singulares.

Quanto às árvores que serão plantadas no mega plantio, acho que devem mesmo ser plantadas. Mas não justificam em hipótese alguma o que vem sendo feito por aqui. Eu quero ter o direito de viver minha vida sob a sombra de uma árvore e não esperando que elas cresçam do outro lado da cidade para mudar o clima do mundo. E nem de longe desprezo a importância do evento que será realizado pela nossa prefeitura – e essencialmente longe da minha casa, segundo o que aconteceu no mega plantio anterior – porém, reafirmo a minha necessidade de sombra aqui hoje. Creio que tenho o direito a isso. Ou não?

O velho mundo preserva a sua história, suas raízes e suas tradições. Nós queremos ser modernos.

Não sei o que contaremos para nossas crianças. Nós já fomos melhores.



Escrito por Marco Escobar às 02h03
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Terceiro dia em Florianópolis.

 

A chuva prometia: o dia seria de tédio e frustração, afinal, gastamos uma grana para estar aqui e não haveria sol. O que fazer?

Acordamos tarde (depois das dez) e tomamos o leite com Nescau com aquela sensação de derrota. Chovia para valer. Saímos para andar pelas lojinhas do local e eu esqueci a carteira. Voltamos e recebemos a dica da Claudet. Ela sugeriu que pegássemos o barco e fôssemos para um restaurante à beira da lagoa. Claro, seguimos a proposta e foi fenomenal. Adoro andar no meio dos nativos, ouvir seus sotaques, caminhar por suas ruas, ouvir suas histórias e pensar que gente é sempre gente, não importa onde.

Almoçamos num restaurante rústico, de bom gosto e agradável. Com comida honesta e preço justo. Fomos visitar a cachoeira atrás do restaurante, passamos na lojinha de artesanato e conversamos com o Crespo. O cara conta mais histórias que o homem da cobra, mas é muito gentil, simpático e receptivo. Vale passar a meia hora de diálogo ali.

Voltamos no barco das quatro e dez, ainda debaixo de chuva. A paisagem era linda o tempo todo. Casas maravilhosas na beira da lagoa que me faziam pensar sobre o plano de manejo das terras por aqui.

Chegamos de volta e fomos comprar artesanato. Antes, subimos as dunas e conhecemos a paisagem mais estranha que já visitei. Sempre andei na trilha. Sempre gostei de mato. Também vivi coisas boas no centro de grandes cidades como São Paulo. Andar em dunas mudou tudo. O que era aquilo? Parecia um deserto, mas tinha água porque havia chovido. O barulho fazia acreditar que o mar estava próximo mesmo não estando. O ar é seco, o solo é mole ou não. Depende do passo que damos. Tudo muito diferente de tudo que eu vi. É estranho. Uma experiência que eu recomendo.

Depois das dunas, fomos para a loja de Bernadete rendeira. A mulher tem a melhor conversa de toda a ilha. Que inteligente! Que humor ácido! Quanta gentileza! Sotaque açoriano, dizendo com aquele tom aportuguesado (de Portugal mesmo) que era uma manezinha... muito gente boa! Recomendo que a procurem sempre que vierem a Floripa. Mesmo que seja para conversar, já vale a pena a visita.

Depois, corrida! Corri por 47 minutos, fui até a entrada da Praia Mole, toda a distância que percorremos ontem, mas em duas vezes, na ida e na volta. De novo aquele ritmo que deixava os carros congestionados lá para trás, desta vez, ainda mais acelerado.

Voltei para a pousada, fomos comer tacos. Eu nunca havia provado. É bom... mas não vale nem um lanchinho, é muito pequeno! Comi e voltei para casa com fome. Esquentamos a lasanha no micro-ondas e daí sim, jantamos.

O dia foi bom. Diferente, com experiências novíssimas. O barco-ônibus, o almoço com vista para a lagoa, as dunas, o taco... estou aproveitando Floripa para experimentar. Acho que, no final das contas, turismo é provar o lugar. Os sabores, os lugares e as coisas. Está valendo a pena estar aqui.

Até amanhã, se Deus quiser.



Escrito por Marco Escobar às 03h05
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Segundo dia em Florianópolis

 

Amanhecemos bem e fomos caminhar pela orla. Tirei milhões de fotos das vacas espalhadas pelo caminho (alguém conhece o projeto que espalha vacas pintadas pela cidade?). Pois é, saímos meio com sombra, mas o sol apareceu e o Natalino não ficou exatamente feliz. Mesmo assim, sobreviveu bravamente a todo o roteiro e voltamos para o Mercado para um último camarão delicioso.

Corremos para o hotel, pegamos as malas e saímos. Voltamos para o mercado para comprar chapéus porque o sol realmente está impiedoso e fomos para o ponto de ônibus para vir para a pousada. Chegamos, arrumamos as tralhas e pegamos um ônibus (Barra da Lagoa) com destino à praia Mole. Fiquei pensando nos motivos que levariam alguém a batizar uma praia de ondas violentas de “praia mole” até que pisei em sua areia. Parecia uma imeeeeeeeeeeeeeeensa tigela de claras em neve. Você pisa e afunda, pisa e afunda, pisa e afunda. Andar por ali é muito difícil!

A praia ao lado da praia mole é a praia Galhetas. Praia de nudismo, faz quem quer. Chegamos e começamos a andar pelo meio do povo em sua maioria vestido. Uma cena bizarra, engraçada. Aquele monte de gente pelada tomando chimarrão, brincando na areia, lendo gibi! Andei pela areia como alguém que quer fingir naturalidade no meio de uma cerimônia curiosa. Aos poucos, foi ficando natural tudo aquilo e percebi que, na verdade, o tabu da praia de nudismo é de quem vem, não de quem está.

Acostumados, ficamos sentados tomando uma cerveja e vendo o desfile do pessoal pra lá e pra cá. Sem malícia, sem sem vergonhice, sem nada que ferisse moral ou bons costumes. Acho que tem muita balada muito menos digna. Tem muito bar, muita festinha, muita coisa pior. Em galhetas, as pessoas estão nuas, só isso. Simples assim e básico assim.

De repente o tempo virou. O Natalino, que estava quase bem humorado, ficou irritado porque tomou uma chuva das boas. Fomos para o ponto de ônibus, tinha tanta gente falando castelhano que precisei perguntar em voz alta se alguém ali falava português. Só assim consegui perguntar se o nosso ônibus passaria ali. Não. Era no outro ponto.

Caminhamos mais um pouco num trânsito caótico de fim de tarde na Marginal Tietê (a metáfora se justificava) e fomos para o ponto de ônibus. Ali, milhares de pessoas se acotovelavam num mormaço desagradável enquanto um otário ouvia no celular a música Someone like you da Adele. A música é linda, mas perdi as contas de quantas vezes ela foi reiniciada.

Uma loira de origem desconhecida falando uma língua entre o alemão, o sueco, o russo e o holandês ficou pedindo carona segurando um copo de caipirinha e um livro com uma capa impossível de ser lida. E o ônibus, nada... quando ela conseguiu a carona, resolvemos também seguir na caminhada apenas para não curtir um coletivo tomado de gente. Seria uma hora andando, mas seria melhor que tudo aquilo.

Nos divertimos ultrapassando de quando em quando a loira da caipirinha. Chegamos ao final do percurso quase à frente dela. Perdemos por cinco minutos. O pessoal do ponto de ônibus acabou chegando bem depois. Conseguimos fazer compras sem ver o ônibus passar.

Trocamos de roupa (estávamos realmente precisando depois de um dia de areia e chuva) e saímos comer um negócio que chama “sequência de camarão”. A sequência é um escândalo! Camarão no vapor, camarão alho e óleo, camarão empanado, filé de peixe no molho de camarão, casquinha de siri, arroz e salada. De comer Cho-ran-do! Quanta comida! E quanto sabor! No restaurante, soubemos que nossa amiga Gy faleceu hoje. Enfartou. Triste notícia! Estamos aqui de mãos atadas podendo apenas rezar. Cada coisa que acontece! Jovem, bonita, inteligente, com uma vida imensa pela frente. Eu sempre digo que Deus é estranho. Ele faz coisas que não somos capazes de entender hoje e que só entenderemos quando chegar a nossa vez.

Termino este post com esse minuto de silêncio. Estamos aproveitando as férias por aqui, mas sentimos uma tristeza imensa pela amiga que se foi.



Escrito por Marco Escobar às 01h07
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Primeiro dia em Florianópolis.

Saímos de Sorocaba (eu e Natalino) às cinco da tarde, pegamos um Cometa e fomos para a Barra Funda. De lá, fomos de metrô para o Terminal Rodoviário Tietê. Esperamos das 8h15 até às 22:15. Finalmente entramos num Eucatur com destino a Florianópolis. Havia crianças no ônibus, mas o problema foi a velha. Tinha uma velha tão rabugenta, mas tão rabugenta que fazia minha mãe parecer uma freira. Reclamou de tudo e acho que havia esquecido do aparelho auditivo porque gritava para todos ouvirem. O banco dela era exatamente o da minha frente.

12 horas depois, acordamos em Florianópolis. Não tão simples assim. Horas e horas de sacolejo sem fim, com algumas poucas paradas para esticar as pernas e um banheiro químico que não tinha química que resolvesse nas últimas horas.

Chegamos e o sol nos saudava insistentemente. Florianópolis tem muita gente pedindo “uma ajudinha” em torno da rodoviária e – como gosto sempre de fazer – viemos para desbravar a cidade na caminhada, no coletivo. Começamos o dia tomando o café da manhã dos sonhos: um empanado de camarão com catupiry (de fazer a coxinha da Real repensar sua autoestima) e um belo copão de chopp. Foi caro, mas valeu o susto.

Saímos andar pela cidade, o sol, impiedoso e o Natalino, começando a se cansar disso tudo.

Caminhamos, caminhamos, caminhamos e chegamos ao hotel. Oscar Hotel. Um hotel modesto e digno, uma belezinha com boas instalações e um banheiro inadequado para gente que não venha fazendo regime há mais de seis meses. O atendimento é gentil e as toalhas são limpas. Acho digno. Fizemos o check-in e o Natalino estava com mais dor de cabeça. Fomos para o centro para almoçar (de novo!) e paramos no Mercado Municipal para comer uma bela porção de camarões no alho e óleo, uma porção de fritas e mais cerveja.

Coragem! Encaramos o terminal de ônibus e saímos procurar a tal da Lagoa da Conceição. Nessa altura do campeonato, o sol e a dor de cabeça tornavam o Natalino um parente bastante próximo da velha do Eucatur. Reclamava, fazia careta, andava devagar (sem saber que isso prolongava a estadia dele debaixo do sol...) e, na louca, saímos à caça de uma hospedagem para mais dois dias. Peregrinamos por mais de meia hora até que... encontramos o lugar mais que mágico! Todo decoradinho em azul e branco, com uma dona simpática e gentil, mulher fina! A casa tem muitos elementos reciclados, o que é exatamente a minha praia! E para ajudar, fica numa rua de frente para a Lagoa!

Saímos de lá no ônibus 320 e voltamos para o centro, compramos um cartão de ônibus já com créditos suficientes para toda nossa estadia em Floripa e fomos à rodoviária (mais sol, mais dor e menos empolgação, se isso fosse possível). Compramos as passagens de volta e viemos para o hotel.

Banho, uma descansadinha e “bora correr”. Corri uns bons quilômetros, creio que dez. 52 minutos de uma paisagem deslumbrante da orla oeste de Florianópolis, com direito a retorno embaixo da ponte Hercílio Luz (cartão postal da cidade). Antes de correr, fui escovar os dentes e derrubei o tubo de pasta na privada...

O Natalino estava tentando se recuperar da dor e pediu para eu ler o nome do remédio que ele iria tomar. Eu sem óculos e ele alérgico. Deu merda! Ao invés de tomar um AAS, ele tomou uma Dipirona. Começou a tossir, espirrar, inchar, avermelhar... e ainda estava de mau humor! Saímos desesperados procurando uma farmácia para buscar um Allegra D para tentar conter o susto. Ele sentava nos bancos do caminho para coçar os pés, coçava a virilha, as pernas, os braços, a barriga, tudo. Respirava com dificuldade e nada de farmácia. A agonia crescendo...

Finalmente encontramos uma farmácia muito distante e conseguimos o tão necessário remédio. Ele tomou dois comprimidos na porta mesmo. E continuou coçando... até que finalmente o remédio fez efeito e ele ficou – quase! – de bom humor.

Fomos para o Bob`s e comi uma salada com suco light... só que a moça errou o pedido e me deu de brinde uma porção grande de batatas fritas. Fui forte e não comi. O Natalino, que estava cansado e fraco, comeu a dele e a minha e nem reclamou.

Enfim, o primeiro dia foi bastante curioso. Acho que foi mais tenso que divertido, andamos quilômetros, tomamos muito sol e nem fomos à praia. O centro da cidade não deve nada para o centro de Sorocaba ou de São Paulo. É simples, com belos prédios, mas cansativo e calorento.

Fotos? Devo ter tirado umas cinco ou seis talvez. Não dá para parar e tirar fotos porque o Natalino continua correndo... quem sabe eu compre uns postais.



Escrito por Marco Escobar às 22h29
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Luto ardido

O mundo é capitalista. Não que eu não soubesse, não é isso. Apenas senti hoje na pele a dor do poder de uma forma que eu nunca havia sentido.

Fui uma criança de bairro, daquelas que recebem a educação dentro de casa e depois praticam na rua. Fui criado numa comunidade, minha mãe e meu pai precisavam trabalhar e eu ficava com uma família de vizinhos sexagenários. Aqui fica minha homenagem à Tia Zeca, Tia Nina, Geraldo, Maria e João.

Com eles aprendi a ser o que sou hoje. Aprendi caráter, gentileza, estudo e relação com as coisas da terra. Aprendi a cuidar das plantas, dar comida para os animais e colher goiabas para o doce. Aprendi o Português e a compreender as pessoas como elas são e não como eu gostaria que fossem. Na casa deles, corri atrás de borboletas quando era bebê e tomei leite de cabra tirado direto no copo.

Mas eles morreram. Todos.

Os sobrinhos herdaram a casa e tudo mais.

Venderam o imóvel e foram embora satisfeitos contando os reais. A casa virou um monumento à infância colado bem no meu muro. Uma espécie de lembrança de quem fui e de quem sou. Fiquei na esperança infantil de que ela tivesse sido comprada por alguém que apreciasse o canto dos pássaros e a vida tranquila de um bairro residencial do interior.

Hoje chegaram as máquinas e em centenas de golpes barulhentos puseram abaixo as memórias todas. Chacoalharam meu interior. Em instantes as árvores sob as quais brinquei quando criança foram colocadas abaixo com golpes de maquinário pesado. A ameixeira, a goiabeira, a laranjeira, o pinheiro... e a casinha do fogão de lenha... e a garagem onde eram guardados o fusca e as comidas das cabras. E a casa da Carmem, a da Merce... tudo virou pó. Pó e lágrima.

Vão construir no lugar um túmulo gigante, uma caixa quadrada sem verde e sem perspectiva de sol, uma sombra para meu muro e para minha história. Uma maneira de sepultar a infância e passar para a vida adulta de uma vez. Um barracão das dimensões do terreno.

Nem os tijolos foram doados. Nem as telhas, janelas, batentes e nada. Tudo destruído porque é melhor assim. O capitalismo que destrói e busca novos recursos na natureza. Sem chance sequer de reciclar, sequer de dar continuidade à bela história vivida ali. Esquecimento no lugar.

Tudo será cimentado. A terra que tanto amei e na qual tanto cultivei será coberta por toneladas de concreto e dinheiro. Vivi momentos de tristeza imensa, um luto. Uma raiva sem tamanho aliada à sensação de impotência. O que faria eu para defender o pinheiro antigo? E a ameixeira? Quem sou eu diante do poder sem escrúpulos dos donos da terra? Nunca vi meu futuro vizinho. Não lembro dele. Ele só é dono da terra, nada mais.

Minha história ficou em mim. Não sei o que ele tem para contar sobre a dele... sei que o leite de cabra tirado direto no copo, o bife frito no fogão de lenha e a horta continuarão em mim. Isso é o que sou e tenho orgulho de todos os momentos vividos naquela infância feliz nos idos de 1980.

Rezo a Deus que haja pouca gente assim. Que a terra e aqueles que nela viveram tenham um descanso mais justo, mais honesto e menos violento. Que as aves possam cantar em seus ninhos nas ameixeiras e que reste luz para os justos, os honestos e os que amam alguma coisa além do poder e do dinheiro.

A casa já era. Percorro cada centímetro dela em minha memória com uma clareza imensa. Creio que isso é sublimar.



Escrito por Marco Escobar às 23h51
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Hoje teve feira na rua de casa. Todo domingo tem e sempre é a mesma coisa. Centenas de crianças convergem para a porta da minha casa pedir um pastel para aqueles que vão à banca localizada aqui na frente. Sempre tem alguém que compra um para fazer sua contribuição na construção de um mundo pior. Incrível a inocência de acreditar que ao pagar sorridente um pastelzinho para uma criança exerce-se a cidadania e a caridade cristã.

Vejo a mesma cena há décadas. Pedem pastéis, comem ávidos até não aguentar mais e daí voltam para casa viver a miséria até o dia da próxima feira. Quando crescem, perdem o encanto infantil e não podem mais pedir na banca de pastel. Vão para os semáforos e enquanto a polícia nos multa porque paramos em locais proibidos, centenas de motoristas são coagidos a doar um pouco de seu salário para alimentar as ex crianças de feira.

Sorocaba é a única cidade que conheço que tem marginal pedagiada. Quando tento dirigir no sentido Newton Prado - Rodoviária, inevitavelmente sou abordado por alguém de mão estendida. Sempre, há muito tempo.

Ajudar os mais pobres que nós é uma missão importante e necessária, mas precisa de prudência e bom senso.

Onde estão as autoridades? Parece que a mendicância virou profissão regulamentada em nossa grande e rasgada Sorocaba.

 



Escrito por Marco Escobar às 00h41
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Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis.

                Evidente que vivemos um momento de dor e de tristeza. As pessoas se revoltam com os mortos nas ruas e debaixo da lama. Fica a pergunta: se pagamos tributos condizentes com o estilo e qualidade de vida dos suecos, por que temos que viver com os recursos do Haiti?

                Chove. Chove em todo lugar e sempre. Não deveríamos ser tão frágeis assim, já foram mais de 500 mortos!

                Vivemos num país lento. Lento para avisar as condições climáticas, lento para liberar documentos, lento para atender no hospital, lento para viver. Rápido para morrer.

                Rezo pela presidente. Precisamos de sanidade.

                Por outro lado, a Bíblia dizia... a casa sobre a pedra...

 

 

 



Escrito por Marco Escobar às 00h40
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O amor.

 

Ah, o amor!

Por ele impérios caem, cidades surgem, gente mata, crianças nascem, a vida faz a roda do destino girar. O amor assassina um Deus e faz surgirem tantos outros em desdobramentos mais complexos a cada dia. O amor movimenta a economia e o turismo, faz com que tenhamos o porquê de acordar cedo na terça-feira chuvosa e ir ao trabalho.

Com amor, a gente chora até vendo comercial de margarina. Sem amor, batemos o carro, xingamos o vizinho, deixamos a roupa suja acumular no chão do banheiro. O amor não tem cor, cheiro, sexo, idade, raça. O amor não percebe as diferenças, não alimenta preconceitos, não escolhe pessoas. A imagem de um Cupido disparando flechas para todo lado num tiroteio cego é a ideia mais próxima que teremos das escolhas realizadas por esse sentimento tão complicado.

E o amor surge, ressurge e insurge. Amor é planta sem vergonha, é como erva daninha. Mesmo que ele seja arrancado, basta uma chuvinha carinhosa e lá vem novamente um sentimento novinho em folha, brilhante e vigoroso. O amor é uma fênix.

Isso justifica tantas fugas. Amar é estabelecer pactos silenciosos com nossos próprios botões, nem todos estão preparados para isso. Tem gente que prefere os cães e os gatos, tem gente que ama o trabalho, ama uma causa e uma banda de rock. É mais fácil assim. Gente é que é complicada pra valer. Amar pessoas envolve vários potinhos guardados no armário: um com tolerância, um com gentileza, um com perdão, outro com força... muitos potes para uso imediato no cotidiano da relação.

Amar é descobrir que não estamos sozinhos e ao mesmo tempo desejar a solidão de vez em quando. O amor usa gritos e silêncios com a mesma frequência e bate portas de carros e de casas todos os dias. O amor é um sentimento bandido que entra sorrateiramente pelas janelas, invade o quarto, deita na cama, toma banho e usa a nossa toalha. Invade nossos peitos e só sai de lá quando já não conseguiríamos mais viver sem ele.

Quando o amor dá um tempo, é tempo de dar uma volta. O amor distancia-se sem nunca perder de vista seus objetivos. Nesse período, dói. Dói como extração de dente sem anestesia, dói como bolha no calcanhar no sapato de salto da mãe da noiva em cima do altar, dói como bater o dedo na porta, como acertar a quina da mesa com o dedo mínimo do pé. Nessa hora, o pote de força do armário quase se esgota, o de paciência fica pela metade... e os amigos ligam mesmo quando fingimos não querer falar com ninguém.

O amor é inevitável. É uma cachaça ardida que embriaga, deixa tonto e depois dá dor de cabeça. É uma droga lícita que o governo não consegue tributar. O amor é a música mais bonita, o doce mais amargo, o sono mais agitado, o carinho mais violento. O amor é irritadiço e sensível. Dobra gentilmente as camisetas e quebra de maneira brutal as vidraças. O amor é bipolar na maioria das vezes. Amamos e sangramos, amamos e vivemos no marasmo, amamos e nos irritamos, amamos e cansamos, amamos e descobrimos que o amor não é de paz. O amor gera guerra e conflito com armas brancas.

Claro que há o amor sereno, aquele da senilidade, vivido geralmente por casais que chegaram às bodas de ouro. Há um amor que não desestabiliza, não machuca e nem deixa hematomas, um sentimento mais próximo da serenidade que propriamente do amor.

O amor é carnal, é visceral como a paixão. Amar é recriar a paixão a cada dia, alimentar a chama com páginas rabiscadas de agendas e poemas piegas, amar é fazer a paixão esquecer de ir embora. É cultivar um imenso jardim. Quando terminamos de cuidar das plantas de um lado, imediatamente percebemos que precisamos reiniciar os trabalhos lá do outro lado do terreno... e assim, sucessivamente numa luta diária e feliz em doses homeopáticas.

Amar é fazer o tempo parar, o tempo correr e o tempo fluir com prazer. Amar é dar sentido à vida.

O amor é o que ganhamos de mais precioso.

Cultivar o amor é um ato de sabedoria.

Imensa sabedoria.

 



Escrito por Marco Escobar às 02h15
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Sujeitos epistêmicos.

 

 

O sujeito epistêmico é aquele que é capaz de aprender somando experiências. A partir do momento em que vivi determinada situação, somo esse aprendizado a outros aprendizados anteriores e essa somatória transforma meu ser e me faz evoluir. Basicamente é essa a ideia. Quanto mais sei, mais aprendo na medida em que aumento meu repertório nas ações do cotidiano.

Fala sério!

Fico observando a banalização cultural que vivemos e tenho a impressão de que em breve voltaremos aos tacapes. Imagino que em algum momento perceberemos como normal a atitude do sexo em público, exatamente como no tempo em que éramos animais. Com o passar dos anos nossas púbis serão modificadas pelo nosso comportamento e daí quando menos esperarmos, passaremos a andar de quatro, exatamente como nossos irmãos macacos.

A violência também preocupa na mesma proporção. São espancamentos, intolerâncias, ações de bandos, machos e fêmeas alfa comandando manadas, cardumes (quando pensamos nas piranhas). Tenho medo. O sujeito epistêmico está longe das escolas! Educamos para a diferença apesar de pregarmos a paz. Onde estamos errando? Várias vezes ouvi a afirmação de que essa história de “não atire o pau no gato” converte nossas crianças em imbecis incapazes de lidar com os próprios medos e revoltas.

O que tem de mais se o “Sambalelê tá doente”? A criança pode conviver com naturalidade com as novelas das nove, com o programa do Ratinho, mas não pode ter medo do Boi da cara preta? Pode ficar na dúvida sobre quem matou o fulano da novela mas não pode encarar de frente o conflito conjugal do Cravo e da Rosa?

Nossos sujeitos epistêmicos modernos dançam funk com shorts apresentados nos programas de reality show, não brincam com armas de plástico mas vêem a guerra do Rio na TV. Brincam de médico aos dez anos e tornam-se pais e mães precoces porque a orientação sexual é tabu até para educadores. Fumam crack porque o cigarro tem milhares de restrições de venda. Em breve, será mais barato fumar maconha que fumar Marlboro por causa dos tributos nacionais.

Sujeitos epistêmicos estão sendo assaltados pela polícia e escondendo-se sob a proteção das milícias. Agora tem radar “inteligente” que monitora estradas e – em especial – flagra as pessoas que não pagaram multas ou impostos. Não tenho dinheiro para cursar um mestrado de qualidade porque nosso país cobra tantos impostos que não nos sobra sequer para a cachaça, que dirá para a Educação.

Daí, nas escolas, exércitos de asnos, muitas vezes comandando a sala. Qualificação profissional é artigo de luxo para abnegados sem vaidade ou para filhos bem nascidos. Quais são nossas reais oportunidades? O MEC lança aquela propaganda tosca falando bem do professor, dizendo que nações que se desenvolveram nos últimos anos tiveram seu alicerce no trabalho do professor. Bem remunerado, claro!

Nossos sujeitos epistêmicos são desafiados por fenômenos analfabetos como o Tiririca (o deputado Tiririca) e programetes sensacionalistas e/ou fúteis com patricinhas como Luciana Gimenes ou Amaury Júnior no comando. De que jeito poderemos crescer?

Nossas árvores são cortadas e onde tínhamos florestas hoje temos pastos. Achamos normal. Poucos juntam lixo reciclável e reduzem o gasto da água, para a grande maioria o lixo é um problema desagradável criado pelo dia a dia do conforto e deve ser depositado o mais longe possível, de preferência, em locais mágicos que simplesmente deem sumiço na porcaria.

Somos vítimas de nossos tempos e nosso país tem a difícil tarefa de criar sujeitos cognoscentes gemendo e chorando neste vale de lágrimas.

Deus nos ajude porque a mídia brasileira pouco tem contribuído. A escola, idem: nos ajude e pouco tem contribuído.

 

 

 



Escrito por Marco Escobar às 18h40
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Finalmente, um ano novo.

 

            Que grata surpresa receber a carta com o IPVA no último dia do ano! Quase cantei o Hino Nacional na mesma hora; senti aquela alegria de quem vê seus testículos sendo roídos por impostos o tempo todo. As festas ficam mais emocionantes quando lembramos que temos que trabalhar um quarto do ano apenas para pagar os tributos que devemos desde a barriga de nossas mães.

            O Rolls Royce presidencial que desfilou em Brasília neste sábado também paga IPVA? Fiquei pensando na pessoa que abre as cartas lá do Planalto com um abridor de envelopes na mão e olhando atônita para a correspondência. Levando para a presidenta Dilma (em sua primeira semana de trabalho) o documento pagável em qualquer banco.

            Enfim, pés no chão, 2011 chegou. Entrou pelas janelas, pelas portas e por todos os poros. Um ano novinho, cheinho de esperança e de paz, assim todos esperam. É incrível como vivemos de símbolos, planejamos o ano novo como se a vida realmente se rompesse entre dois momentos a cada final de dezembro. Estouramos champanhes e celebramos um recomeço, outro recomeço. Outra promessa de regime, de compra do carro, de mudança do emprego... tudo está em nós. Tudo está sempre em nós e não nas coisas ou nas datas.

            A esperança, segundo o clichê antigo, é a última que morre. Rezemos para que a nossa nova presidenta consiga, de fato, fortalecer a Educação, a Saúde e a Segurança.

            Se conseguir tudo isso, o resto a gente resolve.

            2010 não foi fácil, mas acabou. Feliz 2011 a todos.

 

 



Escrito por Marco Escobar às 18h28
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A vida sob o ponto de vista do gato.

 

Tenho uma gata preta de quase um ano de idade, a Letícia. Há dias em que apenas observo o comportamento dela em silêncio... deve ser um universo divertido.

Quando percebo sua presença no dia, ela chegou da balada da madrugada, normalmente por volta de quatro da manhã, chega sóbria e muito contente, incrível como os gatos conseguem ser felizes em silêncio. Não dá gargalhadas, não tem bafo de cerveja e não cheira cigarro. Apenas chega feliz, não escova os dentes, deita-se e dorme o sono dos anjos.

Daí levanta às seis da manhã como um funcionário comprometido com o sucesso da empresa. Tem uma maneira carinhosa de me chamar enfiando as unhas no meu rosto com um carinho cirúrgico. Não deixa cicatrizes, apenas lembranças. Acordo assustado e vou servir sua refeição da manhã. Ração crocante e saborosa. Para acompanhar, a água do aquário do beta. Bebe a água do beta numa relação platônica e antiga. O peixe habituou-se com a ideia de ter um gato enorme bebendo da sua água. Ela finge que ele não está ali e as coisas mantêm-se em paz.

O banho da manhã é feito com cuidado. Lambe todo seu corpo e higieniza sua beleza negra. É limpinha e preciosista. Não guarda sequer um picão grudado nos pelos ou um fio de bigode torto.

Depois do banho, hora de mostrar serviço. Ela pula e saltita pela casa feliz por mais um dia de vida. Chuta bolinhas e corre para o gol agarrá-las. Leva-me até a caça da noite, normalmente uma barata ou aranha torturada com requintes de crueldade até a morte por dor e perda de paciência. Os bichos desistem de viver entre suas garras.

Corre pela casa toda, vasculha os cantos, mia e ronrona esperando que eu abra a porta. Letícia tem outras maneiras de sair, mas quando estou por perto, ela quer que eu abra a porta como um perfeito cavalheiro.

Sai e deita-se ao sol para curtir a vida. Passa horas com os olhos semi-serrados por causa da luz intensa. Cansa do sol e volta para dentro de casa. Sobe no sofá e fica mais algumas horas dormindo, parece que vai escorrer, parece não ter consistência de ossos, parece um líquido despejado sobre o móvel.

Acorda para o almoço. Mais ração. Participa do momento da refeição, aguarda o momento em que nos reunimos na cozinha para então vir degustar sua comida. Almoço em família. Depois do almoço, momentos de integração com os gatos do vizinho, cheira um, acompanha o outro, joga um charme e passeia junto. Imagino que em algum lugar do quintal haja um banheiro daqueles de rodoviária com várias casinhas lado a lado; pelo tempo que ela passa fora com os outros, imagino que exista um banheiro coletivo onde todos encontram-se por alguns momentos.

Terminado o tempo de reunião com os outros, ela volta dormir. Tenta ver TV mas não consegue, o sono é mais forte. Dorme entregue por mais horas e daí chega a noite. À noite todos os gatos são pardos... Letícia é da noite. Gosta de andar por entre nossas pernas, participar do momento da janta, gosta de dar sustos nas pessoas surgindo de lugares inesperados como de cima do armário ou de baixo da geladeira. Brinca e diverte-se com nossos sustos e gritos. Parece rir.

O dia termina e vamos para a cama... todos menos Letícia. Ela vai para sua jornada noturna de trabalho. Caça os animais que porventura tentem entrar em casa, vigia a calçada, anda pelo telhado e nos protege de todo tipo de ameaça. Ela sabe da importância de seu trabalho e por isso mesmo concentra-se em fazer o melhor.

Às quatro horas (às vezes às cinco, se tiver hora-extra) ela retorna sóbria e feliz da sua madrugada agitada para mais uma noite de descanso sem ter escovado os dentes.

Letícia é feliz. Olhai os lírios do campo, não semeiam nem ceifam...

 

 



Escrito por Marco Escobar às 20h16
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Escrito por Marco Escobar às 20h15
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Espírito de Natal...

 

O espírito de Natal já pegou as pessoas, aliás, as lojas fervilham de consumidores ávidos há mais de um mês. Preciso confessar que ainda sinto como se fosse março. 2010 foi um ano dos mais complicados, parece que tudo se acumulou nesses 365 dias que ainda nem se completaram, a cada semana uma surpresa, a cada mês uma batalha, a cada dia uma vitória, acordar às seis e meia já foi suficientemente heroico para alguém como eu.

            O resultado de tanta canseira reflete-se na ausência de decoração natalina aqui em casa. Cancelei o Natal. Aqui não teremos peru ou ceia, sequer faremos batida de pêssego em calda com sidra, um dia comum num ano – se me perdoam a palavra – lazarento.

            Daí vem a Simone cantando a mesma música da minha adolescência: “Então é Natal e o que você fez?”

            Ora, fiz um monte de coisas, fui otário para um monte de gente, centenas abusaram da minha bondade e da minha paciência corroendo meu tempo, meu dinheiro, minha juventude. Estou seis anos mais velho em apenas doze meses. O Papai Noel vem aí e não comprei nada porque não deu tempo. Ainda hoje eu trabalhei, tenho faxina para fazer, roupas para lavar, tenho minha vida para colocar para correr.

            O que os homens comuns faziam na noite em que nasceu o Cristo? Deveriam estar cuidando das suas vidas. É isso, é um aniversário importante mas eu não preciso de decorações e balões coloridos, preciso de tempo para organizar minha vida e para repensar minha história.

            2011 precisa ser diferente porque 2010 foi de doer.

            As verdadeiras mudanças acontecem dentro de nós e nem sempre conseguimos ouvir as vozes dentro de nossos corações. É aí que mora o segredo do “feliz Natal”, é aí que mora o Deus que estamos procurando.

            Silêncio, o menino vai nascer e precisa de um ambiente adequado para vir ao mundo. Estou faxinando meu peito... mas dá um trabalho!

 



Escrito por Marco Escobar às 19h57
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Algumas vezes sentimos um luto sem tamanho por seres que ainda estão vivos... é um parto ao contrário, um sentimento de perda enquanto o ônibus segue pela estrada... somos vítimas de nossos próprios sentimentos, somos castigados por sermos seres sociais.

Detesto excesso de piedade.



Escrito por Marco Escobar às 14h48
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